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Algumas magias não morrem

  • Foto do escritor: Gabriel Belitz e Julia Miranda
    Gabriel Belitz e Julia Miranda
  • 26 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de mai. de 2025

Por Gabriel Belitz e Julia Miranda


Benson Boone se apresentando no palco do Coachella 2025. Foto: Divulgação/Instagram
Benson Boone se apresentando no palco do Coachella 2025. Foto: Divulgação/Instagram

O vento quente do deserto parecia soprar histórias antigas naquela noite. No Coachella de 2025, o palco não era só palco: era promessa, era memória à flor da pele. Lá estava ele, Benson Boone, prestes a transformar expectativa em emoção. A multidão, entre o silêncio e o delírio contido, parecia prender a respiração. E bastou que ele surgisse para que tudo ganhasse forma: luz, som, eletricidade e algo mais, difícil de nomear.


Benson tem essa presença rara. Um tipo de energia que não se mede por volume ou coreografia, mas por intensidade. Seus giros, seus gestos, seu jeito de habitar o espaço dizem tanto quanto sua voz. E naquela noite, algo no ar era diferente. Havia entrega, sim, mas também reverência. Ele não estava ali só para cantar — estava ali para lembrar. Para homenagear. E, no meio do calor e das luzes, um nome parecia pairar como uma sombra luminosa: Freddie Mercury.


Freddie nunca apenas se apresentava, ele simplesmente acontecia. Seu corpo contava histórias, sua voz era pura emoção em movimento. Benson, ainda que com sua própria linguagem e estilo, parecia tocado por esse mesmo espírito. Seu vai e vem no palco, os momentos de fúria e de silêncio, o olhar que atravessava a multidão... tudo tinha algo de Queen. Algo de eterno.


Mas o momento que transformaria aquela noite em memória veio logo depois. De repente, a silhueta de Brian May — sim, ele mesmo — surgiu entre as luzes. Cabelos prateados, guitarra na mão, passos firmes de quem já viveu muitas vidas sobre os palcos. A multidão explodiu. Benson caminhou até o piano. E então, com a delicadeza de quem acende uma vela, as primeiras notas de Bohemian Rhapsody preencheram o ar.


Foi como um portal. A plateia, atenta, entendeu que algo raro estava prestes a acontecer. Benson cantava como quem reza. Brian tocava como quem volta pra casa. Era um clássico, mas nada ali era repetição. Era novo. Era agora. E quando a música alcançou seu clímax, Benson se ergueu com a força do momento. O público, enfim, se deixou levar — cantou junto, gritou, vibrou. E ao fim, no silêncio breve antes do aplauso ensurdecedor, havia algo sagrado no ar.


Naquela noite, Benson Boone não era apenas mais um nome no line-up do festival. Ele se tornava ponte — entre gerações, entre tempos, entre emoções. A energia de Freddie não se apagou. Apenas se espalhou, encontrou novas vozes, novos corpos dispostos a carregá-la adiante.


No fim de semana seguinte, Brian May não pôde estar presente. Mas Benson, fiel ao momento vivido, levou uma versão em papelão do guitarrista para o palco. Sim, em papelão. Porque a presença, às vezes, é mais simbólica que física. E ao tocar novamente aquele clássico, deixou claro: certas músicas não envelhecem. Certos encontros não se repetem, apenas se reinventam. Sob o céu estrelado do Coachella, ficou evidente: algumas magias não morrem. Só mudam de forma.


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