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Memórias à meia-noite

  • Foto do escritor: Gabriel Belitz e Julia Miranda
    Gabriel Belitz e Julia Miranda
  • 30 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de mai. de 2025

Por Gabriel Belitz e Julia Miranda


Capa do álbum Midnight Memories, da banda One Direction. Foto: Divulgação/Deezer
Capa do álbum Midnight Memories, da banda One Direction. Foto: Divulgação/Deezer

Não sei bem porquê, mas outro dia coloquei Midnight Memories para tocar. Foi sem querer, como quem escolhe uma rua sem pensar muito e, de repente, se vê voltando para um lugar que já conhece bem. O primeiro acorde soou e eu fui transportado para um tempo em que boy bands ainda eram um fenômeno e os refrões grudavam na mente como chiclete.


— Nossa, você ainda ouve isso? — perguntou um amigo, rindo, quando percebeu que eu cantarolava Best Song Ever enquanto mexia no celular.


Não respondi de imediato. Só balancei a cabeça e aumentei o volume. O que tem de errado em voltar no tempo por alguns minutos?


Ouvir One Direction hoje é como encontrar uma antiga caixa de cartas — não se trata apenas das músicas, mas das lembranças que vêm junto com elas. A batida de Best Song Ever ainda tem aquela energia de festa improvisada no quarto, o refrão de Story of My Life traz um gosto agridoce de nostalgia, e You & I soa como um abraço apertado de um tempo que não volta mais.


— Lembra de quando todo mundo ficava tentando adivinhar quem cantava qual parte?— E quando a gente fingia que sabia inglês e inventava a letra no meio?


Era impossível esquecer. Midnight Memories era a trilha sonora de madrugadas conversando sobre o futuro, de amizades feitas na fila de shows, de sonhos adolescentes que pareciam inabaláveis. Era aquele tempo em que a maior preocupação era decidir qual integrante da banda era o mais bonito, e em que cada nova música parecia ser feita sob medida para a gente.


— Você lembra do show? Daquela loucura pra conseguir ingresso? — meu amigo perguntou, agora com um sorriso nostálgico no rosto.


Claro que eu lembrava. Lembrava da emoção na fila, das faixas coloridas amarradas na cabeça, dos cartazes feitos com todo o cuidado. Lembrava das vozes gritando cada refrão como se fosse a última vez que poderíamos cantar juntos. O que a gente não sabia naquela época era que, de certa forma, seria mesmo. O tempo passou, a banda seguiu caminhos diferentes e nós também. Mas a música? Essa nunca foi embora de verdade.


Outro dia, vi uma playlist chamada “One Direction para adultos nostálgicos”. Ri sozinho. Quem diria que aquela banda que um dia foi febre agora pertence a uma geração que cresceu, se espalhou pelo mundo, mas ainda sente um aperto no coração quando ouve os primeiros acordes de Little Things.


E, no fim das contas, talvez seja esse o encanto da música pop: a capacidade de nos devolver, por alguns minutos, a sensação de que o tempo pode esperar. Então, que esperem as preocupações, os boletos, as reuniões intermináveis. Hoje, pelo menos por hoje, eu vou apertar o play mais uma vez.


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