Lady Gaga faz história em Copacabana
- Julia Miranda

- 27 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Por Julia Miranda Gazola

Lady Gaga sempre foi sinônimo de inovação e reinvenção no universo da música pop. Desde sua estreia com The Fame (2008) até projetos mais introspectivos como Joanne (2016) e o sucesso cinematográfico de A Star Is Born (2018), a artista construiu uma trajetória marcada por múltiplas facetas, todas guiadas por autenticidade e ousadia. Sua apresentação em Copacabana, no Rio de Janeiro, em maio de 2025, não só reafirmou esse legado como também entrou para a história: com um público estimado em mais de 2 milhões de pessoas, o show se tornou o de maior audiência já registrado por uma mulher na história da música, como destacou a própria Gaga em seu perfil no Instagram.
O espetáculo, gratuito e realizado na icônica Praia de Copacabana, foi um evento visual e sonoro de tirar o fôlego. Gaga apresentou um setlist que percorreu todas as fases de sua carreira, misturando clássicos como Bad Romance e Shallow com faixas mais recentes do álbum Mayhem, incluindo os destaques Abracadabra e Vanish Into You. O grande trunfo da apresentação foi sua habilidade de transformar um palco ao ar livre em uma experiência imersiva e teatral, mesmo diante de uma multidão em escala monumental. Dos figurinos dramáticos às transições de luz e som, cada momento foi pensado para emocionar.
A abertura do show estabeleceu de imediato o tom grandioso da noite. Unindo os sucessos Bloody Mary e Abracadabra em uma performance coreografada com dezenas de dançarinos, Gaga surgiu como uma figura mística e poderosa, envolta em elementos de fantasia e religiosidade pop. Pouco depois, uma das sequências mais marcantes veio com Poker Face, apresentada sobre um tabuleiro de xadrez humano projetado no palco, onde a cantora encenou uma disputa de estratégia emocional, uma metáfora visual precisa para o jogo de identidades que percorre sua obra.
Ela se emocionou ao relembrar momentos de sua carreira e ao agradecer a recepção calorosa do público brasileiro. Ao longo do show, interagiu com fãs, falou sobre sua relação com o país e se mostrou visivelmente emocionada com a energia da multidão que a acompanhava até o fim. Em um dos momentos de destaque da noite, a artista dedicou a canção Born This Way à comunidade LGBTQIAPN+, agradecendo por todo o aprendizado, força e inspiração que essas pessoas proporcionaram, não apenas ao público, mas a ela mesma ao longo dos anos.
No entanto, nem tudo foi perfeito. Em alguns momentos, o excesso de efeitos visuais acabou competindo com a performance musical, distraindo do que Gaga faz de melhor: cantar e performar. Além disso, enquanto a artista conseguiu revisitar seu passado com maestria, faltaram surpresas que pudessem dar um frescor ainda maior ao show. Quem esperava participações especiais ou lançamentos inéditos, como ela já fez em outras ocasiões, pode ter se decepcionado.
Ainda assim, a experiência foi arrebatadora. O show de Lady Gaga em Copacabana foi um marco cultural para o Brasil e para a cantora. A artista reafirmou seu lugar como uma das maiores performers de sua geração, e fez isso diante da maior plateia que já teve, um feito histórico que consolida ainda mais seu nome na cultura pop global. Se The Fame nos apresentou à Lady Gaga excêntrica e ambiciosa, e Shallow revelou sua vulnerabilidade mais crua, Copacabana 2025 mostrou uma artista madura, consciente de seu legado e profundamente conectada ao poder da música ao vivo.
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